Génese do Serviço Social

Para enquadrarmos o conceito de Serviço Social tal como o conhecemos na atualidade é necessário fazermos uma contextualização histórica do mesmo e do conceito de pobreza.

Antigamente a pobreza tinha contornos bastante distintos da atualidade. No séc. XV os pobres e todos os elementos da sociedade que praticavam a mendicidade tinham quase uma função simbólica, pois os ricos davam esmola em troca da purificação da alma, ou seja, eles acreditavam que ao dar esmola estariam a libertar-se dos seus pecados (troca caritativa).  desta forma, a população empobrecida era considerada como essencial para a sociedade. Porém, estes encontravam-se fora do sistema social, pois a mendicidade não era considerada um problema social, mas sim natural e funcional, mantendo assim, o equilíbrio da sociedade.

A partir do séc. XV e XVI a conceção da socialização da pobreza e função da mesma altera-se. A pobreza passa a ser considerada como um aproveitamento ilegítimo da riqueza. O pobre é visto como preguiçoso e oportunista, sendo considerado um entrave à evolução da sociedade. Desta forma, criaram-se leis contra a pobreza e criaram-se instituições, Misericórdias, albergues para onde ia a população impossibilitada de trabalhar/ mendigos (idosos, crianças, mulheres e deficientes). A situação de pobreza não se modificava, mas tentava-se erradica-la (era paliativa).

No séc. XVIII emerge a modernidade e surgem dois novos tipos de pobreza: absoluta e restrita.

A pobreza absoluta diz respeito à ausência mínima de meios e rendimentos capazes de assegurar a sobrevivência do indivíduo.

A pobreza restrita relaciona-se com formas de funcionalidade social, ou com características do indivíduo e/ou agregado familiar, que causam situações de pobreza.

Apesar de já existirem (séc. XVII) é neste século que ganham grande impulso as workhouses. Estas eram uma combinação de assistência e de repressão da mendicidade pela obrigatoriedade de quem lá estivesse tinha de trabalhar.

No séc. XIX, começa a existir uma intervenção social por parte de alguns grupos (senhoras mais abastadas que visitavam famílias que viviam precariamente – Filantropia). No entanto, Mary Richmond afirmava que este tipo de apoio era insuficiente. Segundo ela era necessário uma formação própria para o movimento filantrópico.

Desta forma, surge a necessidade de criar um serviço profissionalizado de apoio às populações que satisfizesse as suas necessidades básicas de saúde, educação e proteção social. Dando-se assim o primeiro passo para a criação do Serviço Social como profissão.